domingo, 10 de abril de 2011

Deus e o parto de Juju

Juju é o apelido carinhoso de uma cachorrinha basset  de nome July, muito meiga e carinhosa, prá falar a verdade... dengosa.
Ela recentemente nos proporcionou uma grande lição para a vida. Sempre foi muito carente e dependente, sempre gostou de ser tratada com atenção e carinho extremo. Sua inteligência se equipara a sua docilidade, um encanto de animal que tornou-se sem muito esforço, um membro de nossa família.
Na realidade, ela pertence a minha filha mais velha, Rafaela, sucedida por Rafael e Rachel; frutos que me deu minha doce esposa, a Srª Renata. Quando Rafaela se casou, levou a Juju embora para sua casa. Sentimos muito a falta dela, ou seja, delas.
Mas, quis o destino outro desfecho para essa história. Rafaela mudou-se para uma outra cidade e não pôde levar a Juju, que voltou para o nosso ninho. Era o desejo de minha filha, embora a contragosto meu, que Juju desse uma descendência.Assim Juju cruzou com um “aproveitador”, desses Don Juan’s de plantão e... estava prenha. Uma barriga que crescia, momento após momento, até chegar ao ponto de arrastar ao chão – visto que os basset’s não são abundantes em comprimento de patas -, uma cena de cômica à preocupante em poucos segundos.
Porém, como não há momento que não chegue ao seu final, mesmo que o suplício as vezes nos pareça eterno, no sábado último, nove de abril, Juju se tornou a mais nova mamãe. Nem dava prá acreditar.. um, dois, três, quatro, cinco... e sem que ninguém mais percebesse... seis! “Poxa Juju – perguntei eu – são todos seus?” Juju apenas me deu uma olhadinha, como que olha por cima dos óculos, e limitou-se a “lamber a cria”.
O que mais me chamou a atenção em todo esse imbróglio, é que nós seres considerados racionais, amantes da tecnologia ultramoderna, não somos capazes de nos ater a tão pequenos detalhes, que revelam a grandeza da vida. Questionamos em nome da racionalidade, a existência de um ser supremo, de um criador universal. Mas, ao poder contemplar o momento glorioso da nossa Juju, pude refletir muito sobre isso. Uma cachorrinha tão meiga e dócil, tão frágil e dependente, teve seus filhotes, foi soberana em trabalho de parto, aconchegou seu ninho, não lamentou nada, nenhum gemido. Cortou os cordões umbilicais no tamanho exato, realizou a limpeza dos recém-nascidos e a sua própria, com uma habilidade de dar inveja a muitos obstetras renomados. Aconchegou-os e amamentou cada um deles. Como se fora uma veterana de maternidade.
A nossa Juju cresceu... agora é mãe. Quem a terá instruído tão bem? Dizem que é o instinto. Quem é esse instinto tão perfeito? Gostaria de aprender sua pedagogia! Sou professor há alguns anos e tenho dificuldade em levar jovens a ler um mapa, mesmo da sua cidade, com propriedade; isso, mesmo eu utilizando todos os recursos de dóctor’s e pós dóctor’s disponíveis nas maiores universidades do planeta. E esse “mestre” do universo, o qual está presente em toda a criação. Tudo funcionando com a mais invejável perfeição física, lógica e matemática. É capaz de nos ensinar com coisas aparentemente tão simples e pequenas, mas que revelam a espistéme mais profunda do universo. Coisas que parecem ilógicas à nossa vista, mas nos surpreendem com seu resultado prático. Assim ele ensinou o dom do perdão e do amor, incondicionais, apenas... enquanto escrevia na areia das cercanias da Judéia ou enquanto se deixava pregar num madeiro e suplicava: “Pai... perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.”

3 comentários:

  1. Estou passando por aqui para registrar o PRIMEIRO comentário porque vc sabe, né?!!...rs...e quero dizer que li o texto, estou emocionada e elaborando uma resposta para algo tão sublime. Parabéns pelo dom que Deus lhe deu. Conserve-o. Pratique-o. Sua amiga pra sempre, Lê

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  2. O PRIMEIRO NÃO FOI EXATAMENTE "O" PRIMEIRO(VOCÊ SABE, NÃO É???),MAS COMO NÃO SE TRATA DE UMA CORRIDA E SIM DE AMIGOS COMENTANDO UM TEXTO TÃO INTERESSANTE (COMO DISSE MINHA /NOSSA QUERIDA LÊ),VAMOS TENTANDO DECIFRAR O QUE AS PE ... !
    QUENAS "COISAS" NOS REVELAM.A Juju retornou porque o destino ajudou???
    BEM ,O destino decide quem passa por nossas vidas. O coração escolhe quem fica .

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  3. É por essa história da Juju e por outras com as quais convivo todos os dias na luta pelos animais que eu digo: eles são perfeitos, amam de forma incondicional, sem esperar nada em troca, cuidam de seus filhotes, sofrem sem reclamação etc e tal. São seres abençoados por Deus, fazem parte do Universo e têm direito ao respeito e à vida, assim como nós.
    Qto aos amigos, eu os escolho sim, aliás, como diz a expressão popular, escolho-os "a dedo" e digo sem medo de errar: "Maria Rita e Rubens, eu amo vcs! #MELHORES_AMIGOS!!!" beijão, Lê

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