sexta-feira, 22 de abril de 2011

Para onde caminha a humanidade?

    Segunda-feira, dezoito de abril de 2011, 21 horas e cinqüenta minutos, a câmera de segurança registra uma imagem... uma mulher caminha pela rua vazia e deposita um embrulho em uma caçamba de lixo e vai embora, sem olhar para trás. Vinte e três minutos depois aparece outro personagem no cenário, um catador se aproxima da caçamba, começa a revirar o lixo, um susto, sai correndo, talvez sem saber o que fazer, mas foi em busca de socorro. Volta acompanhado de um professor que retira a criança e volta para a escola, lá a pequena criança, em seus breves momentos, aprende na escola – quem diria – nas mãos de professores, a lição de lutar pela vida, mesmo quando todas as circunstâncias são contrárias, com o pronto auxílio da iluminada professora Manira Lúcia Garcia. Com certeza não tão valorizada quanto deveria, não remunerada o quanto valeria, com um excedente de horas de trabalho como não deveria. Mas foram esses personagens, essas pessoas as escolhidas para protagonizar essa que é somente mais uma, de tantas e tantas outras, histórias da nossa desumanidade, que desperta a humanidade, de quem ainda acredita que a suas atitudes podem fazer a diferença, nem que seja em uma única vida. Pequena, frágil, indefesa, mas com a medida exata da força e da esperança, da luta pela vida!
   Não se sabe ainda se a figura que deposita a criança - hoje chamada Vitória – na caçamba do lixo, é a mãe. Também não importa muito, o fato que chama a atenção é alguém que desistiu de alguém, mesmo sabendo de sua incapacidade de se defender, de sobreviver. Alguém que tinha o direito de escolha e privou um pequeno ser que ainda não tinha essa condição, de sobreviver, de conhecer, de ser! Alguém que não acreditou que haveria uma outra solução, que o respeito à vida deve ser sempre ponderado sobre todas as expectativas. E olhe que nem estamos mencionando o amor!
   Não quero me adiantar aos fatos, mas como mencionei dias atrás, aprendi muito com a pequena Juju, e mais uma vez a torno exemplo. Assisti privilegiadamente a devoção, o carinho com que essa pequena mãezinha cuidou e cuida de seus filhotes! E nós? Seres humanos? O que temos feito?
   São tantos e tantos casos de desamor, de desprezo, de ignorância, de desrespeito a direitos básicos e fundamentais! O que nós vimos nesse dia é dramático, mas infelizmente só mais um, nem primeiro e nem derradeiro! Mas o mais importante é que nos leve sempre a uma profunda reflexão. Será que eu estou contribuindo para que isto não ocorra? Será que sou um bom pai, um bom esposo, um bom filho, um bom irmão, amigo, companheiro de trabalho, profissional, cidadão?
   Quantos e quantos estão com as vestes limpas, bem alinhados, de boa fama, socialmente realizados, mas... valorizam sua família, são exemplos de solidariedade, mesmo quando os interesses são contrários aos meus? Será que eu respeito meu companheiro de trabalho, a fim de que ele também possa crescer e desenvolver-se? Será que cultivo amizades reais, sinceras, em que eu tenha possibilidade de aprender e ensinar, dar e receber, sem condições impostas para promover meus desejos e interesses pessoais, conveniências? O mundo nos olha, nos contempla, assim como nós contemplamos o mundo!
  É importante lembrar que injustiças e crimes contra a humanidade não são apenas os que chegam ao domínio público através da mídia. Acontecem também, quando minorias,grupos ou mesmo simples indivíduos sentem o peso da injustiça. Acontecem quando eu me nego a um olhar, a um toque, a uma palavra, a minha presença. Quando eu tiro alguma vantagem em nome do sucesso e ainda justifico que é pelo futuro e bem estar da minha família! Quando verbas públicas são desviadas, quando a justiça é corrompida, quando eu aceito um pequeno suborno em troca de um favor, quando eu aceito o engano, a mentira, a farsa! Sempre existe alguém em que essas ações pesarão, talvez muito mais do que eu possa imaginar, ou que minha suposta consciência possa acusar! O que tem variado é apenas a dose do veneno, o que mata muitos, o que mata mai rápido, ou a dose lenta que não mata, mas priva de uma vida normal, estendo um sofrimento longo e silencioso.
   Como ser social, nós somos parte de um todo, interligados, dependentes, vivendo em uma mesma “casa”. Somos pais, filhos, irmãos de uma mesma espécie e de tantas espécies diferente, mas não menos dependentes uns dos outros. Talvez essa compreensão seja hoje uma utopia... mas talvez, quando você e eu, menos esperarmos, ela bata à nossa porta, seja ela de papelão, zinco, madeira pobre ou nobre, mas à nossa porta!
   Uma feliz páscoa a você e toda a sua família, entenda-se bem, esse sentimento não depende de sua religião, de seu credo ou sua incredulidade! Todos nós precisamos desse sentimento, essa vida que é expressa, através de pequenas atitudes, que tornam grande a vida!

Parabéns

   As vezes essa palavra que ouvimos, principalmente, uma vez por ano... é ouvida, mas não aceita... não interiorizada por nós! Isso porque perguntamos a nós mesmos: "parabéns por quê?" Lembramos do que não foi feito, do que foi perdido, dos anos que tem passado tão rápido, dos nossos erros, das nossas indecisões, do que queríamos ter dito e nos calamos, olhamos para nós mesmos e temos a ideia de uma certa decadência biológica!!! Mas... e o outro lado dessa mesma moeda que pagamos tão caro para manter? Sim, para manter, pois a recebemos de graça!! 
   Esquecemos fácil do que realizamos, aliás, temos uma tendência a desvalorizar nossos méritos e valorizar o mérito alheio! Toda conquista exige uma superação. Por vezes a superação do outro parece maior... mas devemos nos lembrar que a maior vitória começa em vencermos a nós mesmos! 
   E o que foi perdido? Nada nos pertence na real... apenas estamos convivendo ou utilizando algo... sempre temporariamente... mas outras pessoas também necessitam do mesmo! Os anos que passam, são todas as oportunidades que se abrem hoje em nossa vida... cada dia a mais é uma oportunidade, uma preciosidade que recebemos! Nossos erros são os frutos das tentativas de acertos... ninguém erra tentando acertar, caso contrário não seria erro, seria acerto! Na verdade não existem erros, mas tentativas falhas de acerto ou acertos adiados! E a indecisão... ela acontece, pois, temos tantos valores,e tantas pessoas que amamos... elas são parte de nossas vidas, a indecisão muitas vezes prova que não somos egoístas... repartimos a nossa vida,  nosso dom maior, com outros. O que não dissemos? Muitas vezes as palavras não representam o momento, o sentimento... um olhar ou o próprio silêncio, um toque dizem muito mais!
Devemos valorizar tudo o que recebemos... os momentos que Deus concedeu a cada dia para podermos estar com pessoas que nos são tão importantes... e que talvez um dia serão saudade! O dia, o ar, a luz, a água, a terra. Um universo a nossa disposição em cada dia! Presente! A nossa vida material é apenas o prelúdio do que realmente somos... livres, imortais e eternos! Estamos aqui porque pessoas precisam da nossa presença, pessoas que as vezes sentem mas não reclamam os nossos momentos de ausência, dos quais geralmente não nos damos conta... apenas cobramos o que nos falta!!! Estamos aqui, pois, precisamos crescer, aprender, uns com os outros, ajudando-nos mutuamente! Não há ninguém que não tenha nada a dar e nada a receber! O nosso egoísmo é o que nos priva do mais! Mas... enfim... estamos aqui, e o presente é agora!!! Hoje! Feliz aniversário... hoje!

domingo, 10 de abril de 2011

Deus e o parto de Juju

Juju é o apelido carinhoso de uma cachorrinha basset  de nome July, muito meiga e carinhosa, prá falar a verdade... dengosa.
Ela recentemente nos proporcionou uma grande lição para a vida. Sempre foi muito carente e dependente, sempre gostou de ser tratada com atenção e carinho extremo. Sua inteligência se equipara a sua docilidade, um encanto de animal que tornou-se sem muito esforço, um membro de nossa família.
Na realidade, ela pertence a minha filha mais velha, Rafaela, sucedida por Rafael e Rachel; frutos que me deu minha doce esposa, a Srª Renata. Quando Rafaela se casou, levou a Juju embora para sua casa. Sentimos muito a falta dela, ou seja, delas.
Mas, quis o destino outro desfecho para essa história. Rafaela mudou-se para uma outra cidade e não pôde levar a Juju, que voltou para o nosso ninho. Era o desejo de minha filha, embora a contragosto meu, que Juju desse uma descendência.Assim Juju cruzou com um “aproveitador”, desses Don Juan’s de plantão e... estava prenha. Uma barriga que crescia, momento após momento, até chegar ao ponto de arrastar ao chão – visto que os basset’s não são abundantes em comprimento de patas -, uma cena de cômica à preocupante em poucos segundos.
Porém, como não há momento que não chegue ao seu final, mesmo que o suplício as vezes nos pareça eterno, no sábado último, nove de abril, Juju se tornou a mais nova mamãe. Nem dava prá acreditar.. um, dois, três, quatro, cinco... e sem que ninguém mais percebesse... seis! “Poxa Juju – perguntei eu – são todos seus?” Juju apenas me deu uma olhadinha, como que olha por cima dos óculos, e limitou-se a “lamber a cria”.
O que mais me chamou a atenção em todo esse imbróglio, é que nós seres considerados racionais, amantes da tecnologia ultramoderna, não somos capazes de nos ater a tão pequenos detalhes, que revelam a grandeza da vida. Questionamos em nome da racionalidade, a existência de um ser supremo, de um criador universal. Mas, ao poder contemplar o momento glorioso da nossa Juju, pude refletir muito sobre isso. Uma cachorrinha tão meiga e dócil, tão frágil e dependente, teve seus filhotes, foi soberana em trabalho de parto, aconchegou seu ninho, não lamentou nada, nenhum gemido. Cortou os cordões umbilicais no tamanho exato, realizou a limpeza dos recém-nascidos e a sua própria, com uma habilidade de dar inveja a muitos obstetras renomados. Aconchegou-os e amamentou cada um deles. Como se fora uma veterana de maternidade.
A nossa Juju cresceu... agora é mãe. Quem a terá instruído tão bem? Dizem que é o instinto. Quem é esse instinto tão perfeito? Gostaria de aprender sua pedagogia! Sou professor há alguns anos e tenho dificuldade em levar jovens a ler um mapa, mesmo da sua cidade, com propriedade; isso, mesmo eu utilizando todos os recursos de dóctor’s e pós dóctor’s disponíveis nas maiores universidades do planeta. E esse “mestre” do universo, o qual está presente em toda a criação. Tudo funcionando com a mais invejável perfeição física, lógica e matemática. É capaz de nos ensinar com coisas aparentemente tão simples e pequenas, mas que revelam a espistéme mais profunda do universo. Coisas que parecem ilógicas à nossa vista, mas nos surpreendem com seu resultado prático. Assim ele ensinou o dom do perdão e do amor, incondicionais, apenas... enquanto escrevia na areia das cercanias da Judéia ou enquanto se deixava pregar num madeiro e suplicava: “Pai... perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.”