Aos nobres colegas de trabalho.
Em mais uma data comemorativa, em meio a um ano repleto de dias, dedicamos este, ou melhor, dedica-se este em especial a todos os professores.
Como em todas as áreas e nas mais variadas profissões, o dia é recheado de relacionamentos nos mais diversos graus. Porém, o cotidiano do professor é invariavelmente construído, obrigatoriamente por relacionamentos.
Assim como em nossa vida pessoal, em nosso lar, nem sempre os relacionamentos podem ser coroados de um completo sucesso. A própria complexidade e heterogeneidade do ser humano impede o sucesso que sonhamos ou construímos exteriormente, preconcebido interiormente. Isso porque o outro, por sua vez, também tem a sua própria imagem de sucesso formada segundo seus anseios e seu meio, e na relação destes e outros.
Muitas vezes, e não poucas, temos nosso trabalho julgado e avaliado, por pessoas que sequer reconhecem toda a gama de mazelas em que vive nossa sociedade, desde o ventre materno, a subalimentação, a submoradia, os subsonhos castrados, a subhumanidade e os sub’s dos sub’s. Tratam a educação como se fosse a cura para toda esta esfacelação humana. Sabemos que, apesar de ser parte importantíssima desse processo, não funciona sem o movimento de todas as engrenagens. Se assim o fosse, a maior preocupação em investimentos seria maciçamente para a área educacional.
Mas a nossa importância é intocável, pois é uma profissão que exige mais do que técnica, sem desprezá-la; mais do que profissionalismo, sem abster-se dele; é necessário um conjunto de relacionamentos. Muitas vezes, sem sucesso, mas a ausência deles, torna a prática, não inviável, mas impossível de realizar-se.
Vivemos em uma sociedade injusta e ao mesmo tempo injustiçada. A violência, a ausência de solidariedade, o desrespeito, o desafeto, são qualificações da sociedade em todas as áreas, ambientes e instituições. Não são especificamente atributos do ambiente escolar. Estão nos lares, nas ruas, nos bancos, nos supermercados, no morro, no shopping, nas igrejas. Não é uma responsabilidade única ou específica dos professores/educadores a reversão desse quadro crítico.
Já li, por muitas vezes, críticas de um economista, colaborador da revista Veja. Mas, como anda a economia do país? Alguns podem dizer, vai bem. A pobreza tem diminuído! E certamente as estatísticas confirmam esses dados. Mas a que preço? Qual tem sido o relacionamento da família nessa vida pósmoderna? Quanto tempo tem “sobrado” para os relacionamentos? Então a estatítica comprova os dados, mas não explica, não vê, não sente, não sorri, não chora, não tem fome! É alheia, como tantas críticas e teorias! É alienada da realidade dos relacionamentos!
A vida em sala de aula, nas casas, nas empresas, no transporte coletivo, está deteriorada. As reações são frutos da alimentação intelectual, cultural que esse povo tem recebido! A qualidade do que tem sido oferecido como, muitas vezes únicas, opções de lazer da maior e maciça parte da população é deplorável, antipedagógica, amoral, antiética e um verdadeiro atentado à família! Mas isso não pode ser dito, nem mencionado, pois toda e qualquer idéia a esse respeito é qualificada como “censura”. É uma afronta aos conglomerados de empresas, aos megacomplexos que regem a “economia” e os interesses de uma minoria mundial que domina, “assiste” e sobrevive das mazelas e misérias humanas, vendendo-as a altos preços.
Mas ninguém pode roubar nossa dignidade. Somos profissionais, técnicos, acadêmicos e temos como maior dificuldade, a mesma presente em todas as classes, grupos e indivíduos: relacionamentos!
Nesse dia, seja feliz! Relacione-se o máximo que você puder, com todos os que lhe estão próximos ( e distantes também). Dê um abraço especial no seu filho, pai, mãe, esposo, esposa, namorado, irmão, vizinho, amigo, companheiro, enfim, alguém que possa abraçar, mesmo sem envolver os braços, envolva o coração! Respire a vida!
Relacione-se e seja feliz!
Assim, teremos seres mais felizes, amados e bem relacionados. Melhores cidadãos!
Feliz dia dos Professores!
“Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar... Já não restava ninguém para protestar.”